Resenha sobre o livro - “Uma Arte Mortal: A História não contada do Tae Kwon Do”

 

Uma Arte Mortal: A História não contada do Tae Kwon Do” foi escrita pelo jornalista canadense Alex Gillis. Alex começou a treinar a arte marcial quando novo e ao longo de sua vida teve contato tanto com o Tae Kwon Do conhecido como tradicional da ITF, quanto com o Tae Kwon Do Olímpico da WT. Um de seus primeiros instrutores foi o coreano Jong-soo Park, que no passado foi um dos pioneiros mais importantes do General Choi. A sua profissão e este background incrível serviram de basepara um dos livros mais importantes sobre a História do Tae Kwon Do que já foi publicado.

O que talvez diferencie esta obra das demais é o fato dela ser resultado de uma investigação jornalística que é tanto meticulosa quanto abrangente. Ao longo de anos, Alex entrevistou dezenas de instrutores que fizeram parte da construção da própria arte marcial. Entre os vários nomes de peso, para citar apenas alguns, estão Nam-te Hi (braço direito do general Choi no início da ITF), Chang-keun Choi (Um dos Ases do Tae Kwon Do), o próprio Choi Hong-hi, Un-yong Kim (fundador da WT e do Kukkiwon), Jhoon Rhee (o pai do Tae Kwon Do norte–americano), entre muitos outros. Esta grande quantidade de informações que ele reuniu acabam se encaixando numa narrativa envolvente que foi descrita pela Quill & Quire: “parece mais um romance de espionagem do que uma história”. Acho que esta crítica não poderia ser mais oportuna porque, durante todo o período em que conversei com o jornalista, ele sempre falou que a maioria dos livros de história são chatos de ler e queria que o seu livro envolvesse o leitor.

Tenho certeza em dizer que o livro é envolvente e prende a atenção. E não poderia ser diferente. Nos acostumamos nos Dojangs (academias) a escutar a história de uma arte marcial ancestral criada por guerreiros antigos. Então é uma surpresa, ao ler o livro, nos depararmos com seres humanos contemporâneos que fizeram coisas extraordinárias, muitas vezes controversas, outras vezes imorais até. Certo ou errado, existia um porquê; mais do que isso, existia uma missão: se reerguer da humilhação do Período Colonial Japonês e criar uma arte mortal nacional que empoderasse uma nação e conquistasse adeptos nos quatro cantos do mundo.

Isto por si só já parece difícil, então imagine construir isso num mundo de moralidade dúbia, onde o certo e o errado nem sempre são claros, e tendo como pano de fundo eventos como a Guerra da Coreia, a Guerra do Vietnã, a Guerra Fria, ditaduras capitalistas e comunistas e, claro, os Jogos Olímpicos. “Uma Arte Mortal” pode ser tudo menos maquineista; as escolhas que estes pioneiros fizeram e o caminho que o Tae Kwon Do trilhou muitas vezes não poderiam ser classificadas simplesmente entre Bom e Mau. A história é política e controversa e, no lugar de guerreiros ideais milenares, nos surpreendemos com atletas, soldados, espiões e autoridades corruptas. Leia o livro e venha conhecer algumas das histórias que não nos contam nas academias sobre o Tae Kwon Do.

Você pode saber mais do nosso projeto em nossa página do facebook: https://www.facebook.com/artemortal/ e pode apoiar o nosso financiamento coletivo no site www.alster.esp.br/artemortal.

 

Muito obrigado #artemortal

 

Mestre Sergio Moller Jr.

 

Artigo Publicado em 13/10/2018, as 21:50hs

Nota da Redação:
¹ O Tkdlivre, não necessariamente concorda com o conteúdo dos artigos publicados e assinados neste Site. O artigo em questão reflete exclusivamente a opinião do autor, e assim, da sua inteira responsabilidade.
²  De qualquer forma, aos questionamentos que este artigo sugere o Tkdlivre, se coloca de antemão, a disposição para, a quem interessar possa, exercer o Direito de Resposta ou fazer o Contraditório.