“NOVACBTKD”: 4 ANOS DE BAGUNÇA INSTITUCIONAL!


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Taekwondo “Olímpico” Brasileiro encerra o ano enredado nos seus próprios vícios. Desta forma, como já resenhamos, refletimos, alertamos em tantas oportunidades (e foram várias) sobre os imbróglios há muito evidenciados que as cortinas de 2015 pensam em encobrir.

Não por acaso, vem o site “oficial” paralelo do taekwondo nacional dar destaque, em 18/12/2015, à seguinte notícia: “Carlos Fernandes é confirmado Presidente da CBTKD, em artigo reproduzido do Site da Revista Budo que publicara na mesma data: "Fortalecido, Carlos Fernandes é reeleito por aclamação".

Tais publicações demonstram certa dose de desfaçatez que impressiona, visto que em vez de discutir o que é mais relevante, distrai o leitor para chavões como: reeleito por aclamaçãofrustrar manobra de três opositores”, “é reeleito com 23 votosescolha de 90% dos Estados com direito a voto”. Tudo isto é subjetivo em meio a porcentagens equivocadas.

Qualquer perspectiva mais responsável com o futuro do taekwondo e com a normalidade institucional da entidade que controla os recursos públicos para gerir a modalidade no País, perceberia que até este tom de cobertura faz parte do “circo político” que tenta dar credibilidade e legitimidade a contenda que se iniciou com as Alterações Estatutárias na AGE de 21/11/2011, identificada pela Justiça Carioca como FRAUDADA e, portanto, ANULADA. Isto sim é relevante!!!

Assim como se esperava que algum “poder” institucional desta entidade discutisse, questionasse, responsabilizasse e punisse os responsáveis por tais atos. Porém, nada disto é tratado.

A matéria em questão traz ingredientes que merecem esclarecimentos entre alguns pontos a ser veementemente refutados, ainda que, nestas alturas dos acontecimentos,  pareça não fazer muita diferença.

Ainda assim, destaquemos aqui para dois fatos relevantes:

Um diz respeito a condução dos trabalhos que trouxe ao palco uma figura nova à vida institucional da entidade e ao coletivo taekwondista: “Luciano Hostins conduz os trabalhos da Assembleia”. Nada se sabe de vínculo institucional algum deste com alguma entidade federada, a não ser por se tratar de um profissional com trabalhos em outras entidades esportivas, com o nome vinculado a uma matéria do SITE UOL: “Como Paulo Schmitt, do STJD, ganha milhões com o basquete brasileiro”, donde se questiona como o “Procurador-geral do STJD ganhou seis licitações na CBB, contra os mesmos rivais em todas”.

O caso também chama atenção em função de a entidade que controla o Taekwondo “Olímpico” Brasileiro ser investigada num inquérito da PF, na chamada Operação Contra Golpe, que investiga casos de fraudes em convênios públicos. O que deixa a dúvida sobre qual “know-how” o mesmo agrega à atual gestão.

Outro caso, é o relativo e alardeado “Fato inédito desta assembleia foi a presença de José Fábio Aciole, do Rio Grande do Norte, representando os atletas, que deu o voto de sua classe para Carlos Fernandes”.

Ainda que pouco saibamos sobre o processo que culminou com a escolha do atleta em questão como Representante dos Atletas, algumas informações dão conta de que o mesmo fora escolhido em um encontro em Natal, possivelmente em 24/11/2015. Ora, muito embora o escolhido tenha bagagem e credibilidade para tal, estranha-se a data e o local não coincidir com nenhuma grande competição, cuja presença de renomados atletas se fizesse necessária para tamanha responsabilidade e representação, com todos devidamente credenciados e em dia com suas obrigações com a entidade nacional.

Estranha-se também que o site “oficial” paralelo, que agora dá ênfase à notícia, não ter dado, à época, um mínimo de divulgação a tal eleição. Tem muito atleta que nem sabe quem os representa.

Além do mais, grande parte dos nossos atletas vive às turras com um orçamento apertado para dar conta do calendário nacional de competições. Imaginar que os mesmos iriam se deslocar para um extremo do Brasil, distante dos locais de origem da grande maioria dos atletas, é no mínimo questionável. Ou suspeito.

Feito estes dois destaques, cabe destacar que esta AGE, de cujo pseudo-sucesso a matéria faz resenha, foi convocada para atender demanda judicial de forma a dar ordem e legitimidade institucional, por conta de um imbróglio que se arrasta deste sua fraudulenta origem. 

Porém, os atores sociais que ocupam a entidade e os parceiros de projetos de poder, insistem em mostrar que há uma disputa política pela entidade. Balela!

O que se mostra em disputa é a garantia, contra o comando da confederação, de não “arrancar” das federadas estaduais, os dirigentes que não concordam com o projeto de poder em curso. Ou seja, uma necessária autonomia e independência política das federadas, representantes estaduais. Inclusive para fiscalizar os atos da Presidência da Confederação.

E isto, além de legítimo, deveria ser algo aceito com naturalidade. Mas não! Não com um modelo de gestão egocêntrico e despótico que confunde união com obsessão por unanimidade e consenso com subserviência.

A prova dos equívocos que persistem.

Na matéria em questão, o superintendente executivo da entidade explica que “Tínhamos de promover uma série de mudanças estatutárias para atender às alterações na legislação esportiva. E como houve a exigência de nova eleição, aproveitamos para promovê-las”.

Quer enrolar quem, cara pálida?

Conforme sentença da justiça, tais mudanças se configuraram como muito mais do que boas intenções. O assunto amplamente divulgado desde janeiro de 2012, aqui mesmo no Tkdlivre, porém, nada se fala sobre as tais mudanças acabar por beneficiar, em tese, seu maior interessado e beneficiado.

Muito conveniente, não?

Fechar as portas para possíveis concorrentes, não é legal, nem ético nem legitima processo eleitoral algum.

O presidente da Federação Baiana assim se manifesta: “Nós apenas consolidamos o que havíamos referendado antes. Aquilo que já havíamos considerado o melhor para o taekwondo do Brasil, ou seja, a ratificação da nossa escolha em 2013...”. Cabe apenas alertar tal dirigente de que se o tal eleito fosse efetivamente “presidente de direito e de fato” por que a justiça anulou tudo?

Outros dirigentes que também se manifestaram “...Com ele o taekwondo evoluiu de Norte a Sul do País, sem bandeiras ou discriminação...”, “...estas pessoas que pregam a volta dos antigos currais de exploração imposto no passado...”, “...Será que esta derrota fará com que entendam que não existe mais espaço para a ditadura...”, “...Se depender de todos nós, não haverá golpe político dos pequenos opositores...

Tais manifestações são equivocadas. Nem precisamos resenhar muito, visto que aos que acompanham a modalidade no Brasil, a sua cultura e prática políticas, a realidade que vivemos ou, até mesmo os que fazem uma leitura atenta das decisões da Justiça (que forçaram a realização desta AGE) percebem o quão infelizes foram estes comentários.

Esquecem-se também que o crescimento vivenciado pela modalidade, se é que isto aconteceu mesmo, foi por conta dos investimentos públicos no taekwondo nacional nunca visto antes, em especial do Governo Federal por conta de um Ciclo Olímpico e para uma Olimpíada no Brasil que ocorrerá neste ano que se inicia.

Este grupo de dirigentes que pegaram carona na “fartura” deste Ciclo Olímpico, ao que se percebe, se identifica muito com a perspectiva de Mario Sergio Cortella quando diz que um “Poder que se Serve é um Poder que não Serve”. É isto!

As Pérolas

A matéria em questão não deixa de ser interessante, visto que como uma peça de teatro, deixa o ápice para o final donde o maior interessado e beneficiado desta lambança deixa seus registros:

O poder é temporário...” “antes de nossa gestão o que víamos no taekwondo era a desunião e a traição...”,  “...Não estou aqui por minha vontade ou ambição.” Seria bom que JRKim, Marcus Rezende, Jardson Bezerra e Rodney Américo dos Reis dessem uma opinião sobre o significado de “desunião”, “traição” e “ambição”.

Doutros, sai outras espetaculares, “ele já provou ao que veio.”, “...Com ele o taekwondo evoluiu de Norte a Sul do País, sem bandeiras ou discriminação.” “...Se depender de todos nós, não haverá golpe político dos pequenos opositores...”, “...Se querem chegar ao poder terão que fazê-lo democraticamente e por meio do voto...


E assim, o ano não poderia acabar de forma mais apropriada, com a face & digitais dos homens que ocupam ou orbitam a entidade que “cuida” o taekwondo para as Olimpíadas do Rio/2016.

Lamentamos não haver nesta entidade uma Instância de Poder, um Coletivo Representativo formado por pessoas com autonomia institucional, independência e vontade política, de modo a dar um basta a este deboche que se impõe à Instituição, à modalidade e ao coletivo taekwondista.

E se a tal “celeuma que se arrasta há mais de dois anos...” chegar efetivamente a um fim, conforme sugere tal matéria, com estes desdobramentos...

Ai sim, poderemos considerar outro Novo Escândalo.

Ou Não!

Quem sabe um escárnio.

 Um deboche.

 - O Autor,  José Afonsoé faixa preta, professor, praticante e ativista no taekwondo brasileiro.


Artigo Publicado em 22/12/2015, as 10:37hs 

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