Artigos

13 Anos sem Flávio Molina



Neste artigo, o site tkdlivre resgata um pouco da história de um dos grandes nomes do taekwondo brasileiro e que nos deixou há 13 anos. Seu nome, Flávio Martins Molina. O texto a seguir só foi possível graças às informações de duas pessoas que vivenciaram de perto a carreira desse extraordinário lutador, Marinho Junior, aluno e primo de Flávio e Carlos Eduardo Loddo, o Caroço, que treinou e viajou para o mundial de 1982 com Molina.

Muitos outros depoimentos poderiam enriquecer ainda mais a história desse que foi um grande guerreiro dentro dos dojans. No entanto, o pouco que mostramos a seguir já dá a dimensão de quem foi Molina, um nome que queremos deixar registrado como um dos mais importantes dentro da história do taekwondo no Brasil.

Flávio Molina lutava na categoria meio-pesado e nunca perdeu uma luta no Brasil entre os anos de 1976 e 1982. Lutador de muita personalidade largou o taekwondo em 1982 para iniciar um novo projeto: o de promover o Muay Thay pelo Brasil.


Molina fazia parte do grupo tático especial da Polícia Civil do Rio de Janeiro e dias depois de ter resgatado as filhas do cônsul da Rússia (que estavam perdidas na Floresta da Tijuca), ao fazer uma demonstração de Rappel para o Globo Repórter, no quadro ´Profissões Perigosas`, no dia 19 de fevereiro de 1998, despencou de uma altura equivalente a 16 andares.

´Fui vê-lo no IML juntamente com outros policiais amigos e ficou constatado que ele tentou salvar sua vida até o fim, pois suas mãos estavam todas queimadas por tentar segurar na corda e não conseguir`, conta, Marinho.

Marinho lembra que Molina começou a vida marcial fazendo capoeira em 1974, em uma academia em Botafogo, juntamente com dois amigos. Um deles, Reinaldo Evangelista, o Pelé, praticava também uma modalidade nova, recém-chegada ao Brasil, o taekwondo. O local era a academia Lee Taekwondo Clube, também em Botafogo (posteriormente Academia Kim). Pelé levou Molina para conhecer a modalidade coreana, foi quando o visitante descobriu realmente o que queria treinar.

´Como em tudo que fez na sua vida, começou a se destacar na academia e não demorou que começasse a ser campeão em todos os campeonatos que disputou, virando uma unanimidade não só no Rio de Janeiro, mas em todo Brasil`, ressalta o primo e aluno.

Em 1977, em sociedade com outro praticante de taekwondo, chamado Nilo Sérgio, Molina montou a Academia Naja, no Flamengo, Zona Sul do Rio, de onde formou grandes faixas pretas.




















Molina em frente da Academia Naja (Álbum pessoal de Marinho Jr.)



Caroço conta que Molina formou faixas-pretas muitos bons: ´Ele formou Flávio Alves, que foi campeão brasileiro em 1981; Wellington Luiz, o Narani, que também foi seu sócio na Naja; o Eduardo Ramsauer (O Gary) e Luiz Alves`, lembra Caroço.

Marinho, com mais precisão, pois foi aluno de Flávio na Naja, desde a faixa branca, diz que a academia era ponto de referência para diversos lutadores que já treinavam taekwondo e que pra lá foram para se aprimorar com Flávio. ´O Luiz Alves, que era aluno de Judô, faixa roxa, e que resolveu treinar Taekwondo com o Nilo, depois foi treinar com o Flávio, e os outros que foram treinar em nossa academia e que pegaram a faixa preta, já chegaram com faixa graduada e simplesmente foram treinar para melhorarem sua técnica e assim alcançarem êxito em seus exames de faixa preta, ou mesmo para participarem de Campeonatos`, completa.











Molina, junto com Marinho Jr. executando um Yop na vista chinesa no RJ(Álbum pessoal de Marinho Jr.)


Loddo destaca, de Molina, os campeonatos brasileiros de 1977, 1978 e 1979. ´Em 1978, acho que em novembro, o Flávio venceu o I Torneio do Lee Taekwondo Clube do Brasil, passando literalmente por cima de lutadores mais pesados e antigos, como o Jesus Bento`, conta.













Em pé ao centro com a equipe de competição em 1978 no RJ(Álbum pessoal de Marinho Jr.)


O campeonato brasileiro que ficou marcado na memória daqueles que tiveram a oportunidade de estar no Clube do Botafogo (Mourisco), no Rio, foi o de 1979, quando Molina fez a final com o atleta de Brasília André Mauricio. ´O Flávio fez uma luta maravilhosa em todos os aspectos`, conta Marinho. ´Houve empate por três vezes e no final o Flávio foi o campeão`.

Marinho recorda que no ano seguinte, Molina, Sobrinho e André Maurício viajaram para a Coréia para fazer um intercâmbio. Depois de três meses, voltaram de lá e disseram que não haviam visto nada de mais no que lá se treinava.

´Em 1982, ele foi ao Mundial do Equador...fez duas lutas: vitória contra a Venezuela, mas perdeu para um dos melhores lutadores da Espanha, por uma diferença mínima`, diz Carlos Loddo.

Flávio em 1980 havia passado no concurso de Salva Vidas e passou a trabalhar na praia de Copacabana, onde aproveitava para manter a forma física.

Em 1982, Molina é convidado a dar início ao projeto de desenvolver o Muay Thay no Brasil. Com ele foram quase todos os faixas pretas que formou. ´Flávio correu esse Brasil divulgando o Mauy Thai, fazendo que esse esporte fosse difundido rapidamente, o que podemos constatar nos dias de hoje`, acentua Marinho.

No último dia 19 de fevereiro fez 10 anos que Flávio Molina nos deixou. Esse humilde texto é uma singela homenagem do site Tkdlivre a esse grande lutador. Flavio era casado com Miriam Dumar Molina e deixou três filhos: Marcelo, Felipe e Matheus.

Elaboração: Redação Tkdlivre
Colaboração: Marinho Jr. e Carlos Eduardo Loddo