CASTELO DE CARTAS


Por
Ms Eduardo Falcão - SP

Nas artes marciais, os mestres são os responsáveis pelo ensino e graduação dos seus alunos. As academias que trabalham o conceito marcial de ensino são mais educadoras do que as que não.

É importante para desenvolvimento do esporte de competição marcial, que os dirigentes aceitem esta situação. Que é o certo. Na verdade a competição é apenas um braço da arte marcial. E não o corpo todo.

A arte marcial existe sem a competição. No entanto, a competição não existiria sem arte marcial.

As entidades são instituições jurídicas no campo esportivo, não marcial. As academias são escolas marciais, onde os alunos são educados e formados dentro da filosofia e disciplina da arte marcial, através dos conhecimentos teóricos, técnicos e da prática dos mestres. Nada haver com o CREF, também!

Quando alguns colegas de profissão defendem, assiduamente, que o Conselho Regional de Educação Física, tome papel fiscalizador das artes marciais, estão confundindo alhos com bugalhos.

O grande fracasso do TKD brasileiro está, justamente, no fato dos dirigentes das entidades, abdicarem de uma visão empresarial esportiva. Os dirigentes do TKD brasileiro querem tomar conta do TKD esportivo (competição) e marcial. O interesse deles no marcial são os exames de faixa dos mestres.

Impõe aos mestres das academias filiadas da entidade, a submissão de regras de graduações (exames de faixa) e outras arbitrariedades, no lado marcial. Quando na verdade eles (mestres-dirigentes) são os primeiros a não cumprirem as mesmas.

Esse novo arbitro da CBTKD, Marcelo Resende, cai perfeitamente neste conceito equivocado, de como os dirigentes não respeitam regras de graduações de faixa, e quem está na fila há anos esperando uma oportunidade dessa natureza.

Mestres como Maninho de São Paulo, por exemplo, que se dedicou anos da sua vida, gastando dinheiro do próprio bolso, para dar uma qualidade melhor na arbitragem do TKD brasileiro, para depois vê uma pessoa lá do final da vila passar a sua frente. Como escreveu Lévi Strauss: “Tristes Trópicos”.

Buscar soluções paliativas e mirabolantes não vai adiantar nada. Os dirigentes precisam é deixar o lado marcial (exames de faixa), por conta dos mestres das academias. Sem restrições. Preocupando-se, em só administrar o TKD de competição.

A desordem que os dirigentes gostam de falar, que sem o controle das entidades, acontecerá sobre as graduações de faixa, não passa de pura demagogia de quem quer tirar o direito legitimo dos mestres das academias perante seus alunos, e o dinheiro dos mesmos.

Os dirigentes das entidades foram e ainda são, os principais responsáveis pela bagunça de graduações de faixa do TKD brasileiro. Aliás, o problema do TKD brasileiro, chama-se: “Exames de Faixa”.

Se as entidades de TKD abrissem seus livros de registros das graduações de faixa, diante de toda comunidade do TKD brasileiro, a falsa moral de ordem dos dirigentes, cairia como um castelo de cartas.

Falcão

Fonte: Blog Pessoal “Tribuna do Taekwondo”